
Na minha viagem de regresso a Portugal, eis que dou por mim numa estação de serviço a vasculhar entre as diversas publicações, movido pelo desejo de encontrar a minha VOGUE. Sem encontrar um único exemplar, tive de satisfazer o meu vício com a compra de outra revista.
Entre as publicações dedicadas ao público masculino, a escolha resume-se à estreante Playboy (em tempos de crise no sector editorial é sempre bom lançarmos uma "Playboy Tuga"), FHM, Maxim, enfim, todas elas certamente muito interessantes e apelativas, menos para mim. Possivelmente não serei homem, ou será que existe uma lacuna no mercado? Será pedir muito uma revista de moda que se assemelhe à brilhante l'uomo VOGUE?
Entretanto a procura continua.
Quando passo os olhos pelas restantes capas, encontro uma que tem como headlines: "Amsterdão, roteiro erótico na cidade do sexo"; "amigo aluga-se"; "sexo louco"; "bolas tailandesas, quando o prazer é levado ao limite"... Sem dúvida que quem uma vez afirmou: sex sells, tinha toda a razão.
Comprei-a!
No interior descubro artigos divertidamente interessantes, os em torno da temática do sexo, os outros confesso que ainda não li.
Vão desde o relato de uma viagem ao "Red Light District" em Amsterdão, a um conjunto de dicas sobre como levar o seu parceiro à loucura, sendo uma deusa do sexo. Este último é, até então, o meu preferido. Reuniram um conjunto de acompanhantes de luxo e pediram-lhes que partilhassem alguns dos seus segredos, truques.
Sexo, sexo e mas sexo! Tudo se parece resumir a isso. Questiono-me sobre onde pára o romance no meio disto tudo? Será fantasia ou ainda existem pessoas que o apreciam? Eu gosto muito de sexo (quem não gosta), mas honestamente o que sinto é falta de romance. Será pedir muito? Ou em tempos modernos já não há lugar para o ritual da corte? Será que o imediato é que é bom? Não me parece.
Tudo isto me remete para aquela música dos Queen , cuja letra diz: I want it all, I want it all and I want it now!!!
Todos fomos infectados pelo "bug do instantâneo", ao ponto de nos termos tornado também "fast-food". Confesso-me cansado disso, não me interessa de todo! Considero o sexo uma parte e não "o" todo.
O que aconteceu ao irmos jantar juntos, talvez uma ida ao cinema, seguida de uns copos (não muitos) e uma despedida à porta de casa, permanecendo o desejo de nos vermos no dia seguinte? Sei que isto soa muito ao Sex and the City, mas o facto é que é bom e eu gostava de experenciá-lo mais vezes. Que posso eu dizer, gosto de romance!!!
Li à pouco tempo um artigo que fazia referência ao modo como estas séries de tv e filmes vieram afectar os relacionamentos, aumentando muito a fasquia, de tal modo que se passou a exigir muito, demais até. Aquilo não passa de ficção, pensada e escrita para atrair público. Há que manter os pés assentes no chão. Mas também pedir não custa, não é verdade?
O que é certo é que, passado algum tempo de estar solteiro, aprendemos a definir: menos que isto, não! E isso é bom. Não existe mal em tornarmo-nos mais exigentes. Como diz a publicidade: não sou exigente, contento-me com o melhor! Eu sei o que quero e como eu deve existir mais alguém.
Quando for grande... quero mais romance!